Presidência de Bush termina 'só no sapatinho' - 14/12/08
Bruno Garcez/Correspondente da BBC Brasil em Washington
Nem Bush nem Al-Maliki foram atingidos por sapatos
O presidente George W. Bush só dará o passo final de sua presidência, no dia 20 de janeiro de 2009, quando entregará o cargo de mandatário da nação mais poderosa do mundo para Barack Obama.
Mas um jornalista iraquiano, sem temer pisar em falso, marcou, na base da botinada, a despedida do presidente dos Estados Unidos do palco internacional.
Tudo aconteceu um dia depois de o secretário de Defesa Robert Gates ter dito que a presença militar americana no Iraque está ‘‘no fim do jogo’’, em menção ao acordo estabelecido entre americanos e iraquianos, segundo o qual os soldados dos Estados Unidos marcharão para fora do Iraque em 2011.
Parecia em evento político como outro qualquer. Bush concedia uma entrevista coletiva em Bagdá, a um passo do premiê iraquiano, Nouri al Maliki.
Assista às imagens da agressão a Bush.
Mas ele não sabia que, entre os presentes, havia um repórter que deve ter amanhecido com o pé esquerdo.
O profissional em questão se levantou e, aos gritos de “cachorro”, almejou seu calçado na direção do homem mais poderoso do mundo.
O iraquiano não jogou apenas um, mas os seus dois sapatos na direção do líder dos Estados Unidos e o fez demonstrando boa pontaria.
Bush, que, reza a lenda, costuma, com relativa regularidade, começar o dia se calçando para ir correr e pedalar, usou de agilidade para se desviar dos dois golpes desferidos pelo homem do “sapato-bomba”.
Talvez um dia venhamos a saber se o gesto do arremessador de sapatos foi um improviso ou um ato calculado passo a passo, contemplando o ângulo ideal e a a velocidade de um corpo em movimento.
Durante a campanha presidencial, Barack Obama acusou Bush de promover a invasão do Iraque de forma atabalhoada, julgando que as tropas americanas teriam fincado suas botas em terreno iraquiano com um passo pesado em vez de pé ante pé.
Em princípio, os militares dos Estados Unidos foram saudados por libertadores por muitos dos iraquianos mais vulneráveis, os mais pobres - os descamisados e e pés-descalços do país.
Cenas em que retratos de Saddam Hussein eram alvo de chineladas e sapatadas eram constantes nas TVs mundiais.
Golpear alguém com a sola do calçado é considerado um insulto supremo no mundo árabe.
Aos poucos, porém, o mesmo ressentimento que os iraquianos demonstravam para com Saddam foi se encaminhando em direção aos americanos, que se viram pisando em ovos.
Um dia talvez a história venha a confirmar a tese defendida por Bush e seus assessores de que a Guerra do Iraque foi um passo decisivo rumo à democracia no Oriente Médio.
Mas, ao menos na eleição deste ano, a maior parte da população americana julgou que o atual presidente cometeu uma série de tropeços na condução do conflito militar e da economia americana e decidiu optar por um outro rumo.
Aqui nos Estados Unidos, muitos ainda acusam Bush e o secretário do Tesouro Henry Paulson de terem dado passos bêbados em suas diversas tentativas de contornar a turbulência financeira.
Na política mundial, George W. Bush caminha a passos largos para os bastidores, mas em sua despedida, diz ter feito do Iraque um lugar mais livre e seguro.
Hoje em dia, segundo relatos, é cada vez maior o número de militares dos Estados Unidos que dizem adeus a Bagdá ainda de pé em vez de deitados em um caixão, e o de iraquianos que se sentem mais seguros em andar pelas ruas.
Mas a brutalidade do conflito e as várias dúvidas a respeito de suas reais motivações fizeram a imagem americana no Oriente Médio capengar.
Por isso tudo, a guerra do Iraque será para sempre a pedra no sapato do governo Bush – um fato que nos foi lembrado por um iraquiano que usou uma arma inesperadamente poderosa, o seu calçado.
sábado, 31 de janeiro de 2009
o fator Ph..da-se
...BBC Brasil. Hoje.
Uma escultura instalada no Iraque em homenagem ao jornalista que em dezembro atirou seus sapatos contra o então presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, foi retirada por ordem das autoridades locais.
A escultura de bronze, que reproduzia um sapato, havia sido instalada no terreno de um orfanato em Tikrit, cidade natal do ex-presidente iraquiano Saddam Hussein.
A ordem para a retirada da escultura veio apenas um dia após sua inauguração.
Segundo uma autoridade local, os locais públicos não devem ser usados para instalações com motivações políticas. Ele argumentou ainda que as crianças do orfanato devem ser poupadas do envolvimento em questões políticas delicadas.
Quando a escultura foi inaugurada, seu autor, Laith al-Amari, argumentou que ela não era um trabalho político, mas uma “fonte de orgulho para todos os iraquianos”.
Julgamento
O jornalista Muntadar al-Zaidi, de 30 anos, que atirou os sapatos contra o ex-presidente americano, permanece preso aguardando julgamento pelo ataque.
O ataque ocorreu em Bagdá durante uma entrevista conjunta entre o primeiro-ministro iraquiano, Nouri al-Maliki, e Bush, que fazia sua última visita ao país como presidente antes de deixar o cargo.
Antes de atirar os sapatos, que não atingiram o alvo, Zaidi gritou: “Isso é por todas as viúvas, os órfãos e aqueles que foram mortos no Iraque. Esse é o seu beijo de despedida do povo iraquiano, seu cachorro".
Na cultura árabe, agredir alguém com um sapato é considerado um insulto gravíssimo.
Após o incidente, Zaidi ganhou fama e manifestações de apoio em vários países do mundo árabe e também em outras partes do mundo.
Zaidi afirma ter sido espancado na prisão, e teria tido um braço e costelas quebradas, além de hemorragias internas.
Ele foi indiciado por agressão contra um Chefe de Estado estrangeiro, e pode ser condenado a uma pena de até 15 anos de prisão.
esse é de 16 de dezembro.... (a gente não sabe se ele tem 28 ou 30 anos... mas....)
Segundo ele, al-Zaidi, que tem 28 anos, teve a mão e as costelas quebradas por conta do espancamento e teria sofrido hemorragia interna e um ferimento no olho.
A BBC tentou entrar em contato com o Conselheiro de Segurança Nacional iraquiano, Mowaffaq al-Rubaie, mas ele não estava disponível para comentar as alegações feita pelo irmão do jornalista.
Dargham, irmão do repórter, disse que acredita que al-Zaidi tenha sido levado a um hospital militar americano em Bagdá.
Ele disse ainda que vários advogados se ofereceram para ajudar o irmão, mas que nenhum deles teve acesso a al-Zaidi desde que ele foi detido.
Desde o incidente, diversos protestos foram realizados no Iraque em apoio ao jornalista e pedindo sua libertação.
Autoridades iraquianas afirmaram que o jornalista será processado de acordo com a lei iraquiana, mas ainda não está claro quais as acusações que ele deverá sofrer.
Al-Zaidi trabalha para a emissora Al-Baghdadia, baseada no Cairo, cuja direção já enviou comunicado pedindo sua imediata libertação "de acordo com a liberdade de expressão e democracia prometida pelo novo regime iraquiano".
Segundo o comunicado, a emissora teme pela "segurança de seu jornalista, com medo de que seja torturado, e que responsabiliza as autoridades iraquianas e americanas por qualquer medida contra Al-Zaidi".
O canal conclamou as associações de imprensa árabes e internacionais para pressionar o governo iraquiano e mostrarem solidariedade com o jornalista iraquiano.
agora olha:
Muntader Al-Zaidi teria escrito uma carta a Maliki pedindo perdão por “seu ato feio”, informou o porta-voz do primeiro-ministro, Yasin Majeed.
Segundo o porta-voz, Zaidi teria escrito na carta “que seu grande e feio ato não pode ser desculpado”, mas pediu perdão ao premiê.
“Eu me lembro que no verão de 2005 eu entrevistei vossa excelência e o senhor me disse que 'aqui era minha casa '. Por isso, apelo aos seus sentimentos paternais e peço que me perdoe”.
Entretanto, algumas fontes próximas ao jornalista duvidam da autenticidade da carta.
e ainda:
O jornalista está detido desde que jogou os sapatos contra o presidente dos EUA, durante uma entrevista coletiva no último domingo. Ele foi acusado de “agressão contra um presidente”, o que pode levá-lo a ser condenado a até 15 anos de prisão.
Mesmo assim, seu ato foi visto como “heróico” por parte do mundo árabe.
A empresa onde Zaidi trabalha, o canal de TV baseado no Cairo Al-Baghdadiya, pediu que o jornalista fosse libertado, afirmando que ele simplesmente estava “exercendo seu direito de livre expressão – algo que os americanos prometeram aos iraquianos quando derrubaram o governo de Saddam Hussein”.
Uma escultura instalada no Iraque em homenagem ao jornalista que em dezembro atirou seus sapatos contra o então presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, foi retirada por ordem das autoridades locais.
A escultura de bronze, que reproduzia um sapato, havia sido instalada no terreno de um orfanato em Tikrit, cidade natal do ex-presidente iraquiano Saddam Hussein.
A ordem para a retirada da escultura veio apenas um dia após sua inauguração.
Segundo uma autoridade local, os locais públicos não devem ser usados para instalações com motivações políticas. Ele argumentou ainda que as crianças do orfanato devem ser poupadas do envolvimento em questões políticas delicadas.
Quando a escultura foi inaugurada, seu autor, Laith al-Amari, argumentou que ela não era um trabalho político, mas uma “fonte de orgulho para todos os iraquianos”.
Julgamento
O jornalista Muntadar al-Zaidi, de 30 anos, que atirou os sapatos contra o ex-presidente americano, permanece preso aguardando julgamento pelo ataque.
O ataque ocorreu em Bagdá durante uma entrevista conjunta entre o primeiro-ministro iraquiano, Nouri al-Maliki, e Bush, que fazia sua última visita ao país como presidente antes de deixar o cargo.
Antes de atirar os sapatos, que não atingiram o alvo, Zaidi gritou: “Isso é por todas as viúvas, os órfãos e aqueles que foram mortos no Iraque. Esse é o seu beijo de despedida do povo iraquiano, seu cachorro".
Na cultura árabe, agredir alguém com um sapato é considerado um insulto gravíssimo.
Após o incidente, Zaidi ganhou fama e manifestações de apoio em vários países do mundo árabe e também em outras partes do mundo.
Zaidi afirma ter sido espancado na prisão, e teria tido um braço e costelas quebradas, além de hemorragias internas.
Ele foi indiciado por agressão contra um Chefe de Estado estrangeiro, e pode ser condenado a uma pena de até 15 anos de prisão.
esse é de 16 de dezembro.... (a gente não sabe se ele tem 28 ou 30 anos... mas....)
Segundo ele, al-Zaidi, que tem 28 anos, teve a mão e as costelas quebradas por conta do espancamento e teria sofrido hemorragia interna e um ferimento no olho.
A BBC tentou entrar em contato com o Conselheiro de Segurança Nacional iraquiano, Mowaffaq al-Rubaie, mas ele não estava disponível para comentar as alegações feita pelo irmão do jornalista.
Dargham, irmão do repórter, disse que acredita que al-Zaidi tenha sido levado a um hospital militar americano em Bagdá.
Ele disse ainda que vários advogados se ofereceram para ajudar o irmão, mas que nenhum deles teve acesso a al-Zaidi desde que ele foi detido.
Desde o incidente, diversos protestos foram realizados no Iraque em apoio ao jornalista e pedindo sua libertação.
Autoridades iraquianas afirmaram que o jornalista será processado de acordo com a lei iraquiana, mas ainda não está claro quais as acusações que ele deverá sofrer.
Al-Zaidi trabalha para a emissora Al-Baghdadia, baseada no Cairo, cuja direção já enviou comunicado pedindo sua imediata libertação "de acordo com a liberdade de expressão e democracia prometida pelo novo regime iraquiano".
Segundo o comunicado, a emissora teme pela "segurança de seu jornalista, com medo de que seja torturado, e que responsabiliza as autoridades iraquianas e americanas por qualquer medida contra Al-Zaidi".
O canal conclamou as associações de imprensa árabes e internacionais para pressionar o governo iraquiano e mostrarem solidariedade com o jornalista iraquiano.
agora olha:
Muntader Al-Zaidi teria escrito uma carta a Maliki pedindo perdão por “seu ato feio”, informou o porta-voz do primeiro-ministro, Yasin Majeed.
Segundo o porta-voz, Zaidi teria escrito na carta “que seu grande e feio ato não pode ser desculpado”, mas pediu perdão ao premiê.
“Eu me lembro que no verão de 2005 eu entrevistei vossa excelência e o senhor me disse que 'aqui era minha casa '. Por isso, apelo aos seus sentimentos paternais e peço que me perdoe”.
Entretanto, algumas fontes próximas ao jornalista duvidam da autenticidade da carta.
e ainda:
O jornalista está detido desde que jogou os sapatos contra o presidente dos EUA, durante uma entrevista coletiva no último domingo. Ele foi acusado de “agressão contra um presidente”, o que pode levá-lo a ser condenado a até 15 anos de prisão.
Mesmo assim, seu ato foi visto como “heróico” por parte do mundo árabe.
A empresa onde Zaidi trabalha, o canal de TV baseado no Cairo Al-Baghdadiya, pediu que o jornalista fosse libertado, afirmando que ele simplesmente estava “exercendo seu direito de livre expressão – algo que os americanos prometeram aos iraquianos quando derrubaram o governo de Saddam Hussein”.
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